
Quando as pessoas se juntam para trabalhar em conjunto e atingir um objetivo em comum muitos fatores contribuem para o maior ou menor sucesso da empreitada: motivação, competências, propósito, dedicação, recompensas e muitos outros.
Trabalhando ao longo dos últimos anos em projetos de software em geral tem sido uma oportunidade excelente de observar tudo isto em prática. Um fator em especial tem me chamado a atenção quando se trata da busca de soluções criativas: a diversidade de pessoas no time.
A diversidade pode vir em diferentes níveis: gênero, idade, formação, competência, áreas de atuação, personalidades, experiência, etc.
De um time composto originalmente de programadores jovens na área de software da CERTI, hoje agregamos grupos de pessoas de ambos os sexos, vindos de áreas diversas como design de interfaces, testes, gestão e produto, vindos de empresas grandes ou pequenas e das mais diversas partes do país.
A busca de soluções criativas nos projetos de inovação envolve olhar um problema por diferentes ângulos, fazendo diferentes conexões, realizando experimentos reais ou mentais, tudo isto favorecido por processos de criação grupo. É neste ponto que a diversidade do time entra em campo.
Em nosso caso, vale destacar a influência da formação de um time composto designers e engenheiros/técnicos. Times de engenharia em geral olham os produtos de dentro para fora, enquanto designers tendem a olhar de forma oposta - de fora para dentro. Olhar de fora para dentro privilegia a visão do usuário, em contraste a como as coisas funcionam internamente. Esta combinação de abordagens enriquece o processo e a qualidade das soluções.
Existem ainda muitas outras formas de olhar a diversidade: pelas diferentes formas de pensar de homens e mulheres, pelo uso predominante do hemisfério esquerdo (analítico) ou direito (imaginativo) do cérebro (ver “Innovation in in Turbulent Times”, da HBR 06/2009), etc.
Algumas empresas de sucesso relatam situações assim. Um caso interessante é o artigo do Ed Catmull, co-fundador da Pixar (“How Pixar Fosters Collective Creativity”, HBR, 09/2008). Catmull relata entre outras coisas, a importância da injeção de sangue novo time. Novos talentos representam um fator catalisador, trazendo diferentes backgrounds, desafiando premissas e conceitos estabelecidos, forçando novas respostas e trazendo novas ideias ao grupo.
No entanto, a diversidade em si pode trazer seus desafios. Uma tendência comum em empresas é a divisão de grupos de competência em departamentos, criando barreiras funcionais e físicas nas interações entre pessoas. Outro aspecto está relacionado à cultura das pessoas para valorizar diferentes pontos de vista, de forma que ao invés de simplesmente defender uma posição, possa haver uma real colaboração entre as pessoas.
Ainda, a diversidade do time por si só pode não trazer benefício algum. Como ressalta Jim Collins em “Empresas feitas para vencer”, o desafio é montar o mix correto do time, a escolha das pessoas certas. É a escolha do “quem” antes de “o quê” fazer, uma abordagem inversa ao que muitas vezes é praticada. A lógica é que as pessoas certas vão saber o que é o melhor a ser feito quando for momento. Neste momento, é fundamental o papel da liderança para colocar as pessoas certas no barco.





